quinta-feira, abril 27, 2006

Pintura de Júlio Resende na SNBA - a não perder!

O Tigre da Malásia andou hoje por Lisboa cultural, tendo atingido o pico do seu dia na visita à Sociedade Nacional de Belas-Artes, onde decorre até sábado próximo (dia 29 de Abril) uma imperdível exposição de pintura do conceituado autor português Júlio Resende. Com quadros de várias fases da sua vida, a exposição é rica em verdadeiras obras-primas de vários estilos diferentes, pelos quais o pintor foi sendo seduzido até aos dias de hoje. Aconselho uma visita urgente a este evento, que oferece uma oportunidade única de contemplar quadros da Colecção de Arte Millenium BCP e o painel que mede 40 metros de comprimento, gentilmente cedido pela Câmara Municipal do Porto, de nome "Ribeira Negra" e que pela primeira vez é exposta a sul do Douro.
Não percam, caros leitores, esta exposição única. A entrada é gratuita, sendo que no sábado haverá uma visita guiada por um entendido na matéria, começando a visita às 15:30.
Ficam aqui as indicações necessárias. Eu fui, e vou voltar!

Júlio Resende
na Colecção de Arte Millennium bcp
e Ribeira Negra

de 3 de Abril a 29 de Abril de 2006
no Salão da Sociedade Nacional de Belas-Artes
(Rua Barata Salgueiro, 36, Lisboa)
Horário:
segunda-feira a sexta-feira, das 12h00 às 20h00;
sábados: das 14h00 às 18h00.
AVC

terça-feira, abril 25, 2006

Feriado (este vem de ferida e não de féria)

Hoje, dia 25, é para mim dia de trabalho como outro qualquer. Não celebro a ferida, tento não me lembrar daquilo que felizmente não vivi e trabalho como se nada fosse. Trabalho em casa, claro, para não ter de sair à rua e deparar-me com forçadas manifestações de canhotos, aparentemente felizes com o Estado do País. No fundo, o que os alegra é o facto de terem um dia mais para a folia de um Carnaval que já foi, mas à portuguesa. Assemelha-se exactamente ao Carnaval à Portuguesa, as celebrações do 25-barra-4: os protagonistas, descascados até ao fim, vão simulando falsas alegrias entre tremideiras de frio, tentando imitar Carnavais importados de sítios mais propícios à sua práctica! A cada um, o que é devido. Portugal merece esta democracia? O que nasce torto, dificilmente se endireita! O Tigre da Malásia não tem mãos a medir no trabalho. Hoje, faço voto de silêncio. Até amanhã ou depois!
AVC

segunda-feira, abril 24, 2006

Sandokan - O Regresso

A segunda série completa do grande pirata malaio já saiu em DVD e está à venda! Quatro episódios de hora e meia cada, recheados de grandes aventuras, cheias de trama, acção e suspense... à distância de 19,95 euros! Impecavelmente bem recuperado, para já mais não digo, para não correr o risco de vos tirar o apetite... digo só que é imperdível! Embora seja suspeito dito por mim...
AVC

sábado, abril 22, 2006

Infelizmente, bocejos...

Que os Portugueses estão descontentes com a Política que por este País se faz, e por isso andam cada vez mais alheados e desinteressados, isso não é novidade. A novidade é que os políticos já nem disfarçam que eles próprios estão também desinteressados da Política! Que desgraça! De 230 deputados que literalmente enchem a Assembleia da República, só 111 compareceram na sessão de 12 de Abril, tendo as votações sido adiadas por falta de quórum.
Enfim, o sistema a cair aos bocados... será preciso tantos deputados? Reduzam, meus senhores! Já nem a mancha do inútil se dão ao luxo de fazer! É que dá muito trabalho, dizem. Aos Portugueses dá sono. E ao "Tigre da Malásia" também...
AVC

Ele está de volta...

Sandokan, o Tigre da Malásia!
Para fatiar os inimigos dos Portugueses à espadeirada!
AVC

com Nobreza, do nascimento à acção

Na humilde, mas Real, Praça de Toiros do Vidigal "estreia-se" no Toureio o Príncipe Real, D.Luís Filipe de Bragança, com uma motivação especial: seria ajudado por dois Ilustres Cavaleiros Tauromáquicos, de reputação Nacional e, até mesmo, internacional. Vitorino de Avelar Froes, exímio Cavaleiro, de coração Alfeizerense(onde tinha a sua propriedade agrícola de treino e possibilitava a vivência desta Afición a vários amigos, entre eles possibilito-me citar o meu prezado Bisavô Francisco, corajoso Moço Forcado) e Simão Luís da Veiga, de Lavre (Montemor-o-Novo). Estes dois, nomes Maiores da Tauromaquina do Reino de Portugal, desempenharam a função de Peão de Brega por um dia e, dignamente, apoiaram Sua Alteza Real para que os riscos, sempre presentes numa Corrida -só não reconhecidos por quem nunca enfrentou um Toiro ou lidou com a inconstância natural de um robusto cavalo Lusitano- não se efectivassem naquele dia. Deste modo, dois Cavaleiros Tauromáquicos, assumem um papel de "menor relevância"(em Praça e junto do Público, mas não em Arte e Técnica), possibilitando a D. Luís Filipe o Triunfo que se verificou. Não que a sua Arte fosse inexistente, pois a Pessoa Real caracterizava-se, entre outras coisas, pela «finíssima e inteligente» Personalidade, bem como pela beleza na Arte de Bem Cavalgar em toda a Cela, todavia, sem o precioso auxílio de tão dedicados e valorosos Cavaleiros, o risco e a exigência teriam sido, estou certo, mais elevados.
Simão da Veiga superou-se a si próprio nas colocações e nos quites e, apesar da dificuldade motora de Vitorino Froes, as experiências de vida e de profissão conjugaram-se, como era, de resto, de esperar, na Perfeição: o Príncipe Real coloca magnificamente cinco Ferros compridos e um curto, sem que Sua Majestade tenha permitido mais um Ferro, quando pedido em Praça por seu filho.
É, portanto, de relevar, esta lição deixada para a posteridade: independentemente do grau conferido pela valorosa carreira de cada um, ou pela proeminência que o Sangue, à nascença, lhe confere, há sempre Valores mais Altos que se levantam: neste caso, foi a Casa Real Portuguesa.
Há, ainda, contudo, a salientar, que o Toiro da Ganadaria da Casa Real era um animal de 4 anos com, diz-me a experiência e o Amigo António, mais de 400 Kg. e não um Garraio, como El-Rei havia feito suspeitar. Ao aperceber-se de tal facto, comenta o Sr. Simão da Veiga a Sua Majestade que a corpulência do toiro talvez fosse exagerada, ao que El-Rei responde: «Noblesse Oblige!».
Eis aqui o Exemplo de dois Portugueses e de uma Família Real!

P.S.- o tema pode ser aprofundado com a leitura do livro: Simão da Veiga, um nome e duas saudades, de Luís Fernando da Veiga(filho de um dos referidos Cavaleiros).

Com Respeito, TAM

sexta-feira, abril 21, 2006

A inveja europeia

Um dos grandes problemas da União Europeia, para nós Portugueses, é esta necessidade constante de nos comparar a outros países da comunidade. Fazem-no "em nome da competitividade e do progresso", assim o apregoam, esquecendo ou fazendo por esquecer que não se pode comparar realidades tão diferentes na sua base identitária. A nossa História, Geografia, Religião, sorte e engenho moldaram-nos numa cultura e num espírito que nos distingue perfeitamente de cada povo do Mundo. Aliás, cada povo tem as suas especificidades que lhe conferem uma identidade própria, se assim não fosse não seria necessário chamar-lhe de "Povo X" ou "Povo Y".



Ora, "Povo Europeu" e "Identidade Europeia" são chavões que não nos soam nada bem, por muito que suem para no-los impor. Porquê? Precisamente por nos sugerirem que a base de todos os povos europeus é tão parecida que se pode tomar por igual, para compararmos todas as decisões políticas e económicas de cada país, na senda da descoberta de um modelo único, perfeito e abstracto que sirva para todos, e tudo em nome do tal "progresso" e da "competitividade" entre países.


Este esforço racionalista de encontrar o modelo único e perfeito traz o perigo de igualarmos países diferentes, potenciando a inveja nos mais fracos e a arrogância dos mais ricos, em vez do desenvolvimento económico. Para além disso, o triste é que o erro é clássico e estupidifica quem nele acredita: não será óbvio que os modelos abstractos e perfeitos estão ultrapassados? Como diria Michael Oakeshott, o racionalismo exacerbado só vê um "melhor absoluto", que se impõe a todos! Não vê soluções que possam ser "melhores consoante cada circunstância"...

Circunstâncias diferentes não devem ser alvos de comparação! Países diferentes não podem ser assim confrontados! Identidade europeia é algo que não existe! Não devemos deixar segregar a Grandiosa Portugalidade numa ignóbil tentação europeia... Lembremo-nos que esta luzidia maçã que nos tenta foi e é polida com o sebo da artificiosa manha, escondendo um buraco, cuja minhoca habitante traz os podres da inveja e da arrogância em luta! Com indignação,

AVC

terça-feira, abril 18, 2006

XVII Governo Constitucional

O Governo da Nação parece seguir com as medidas polémicas que tem apresentado à sociedade Portuguesa. Nas ruas, apesar do descontentamento crescente, nomeadamente nas Forças de Segurança, parece manter-se o sentimento "do mal, o menos". Isto é, as medidas do Governo de Maioria, Socialista, não agradam, porém, parecem ser necessárias ao retomar do funcionamento da Estrutura Económica e para possibilitar equilibrar as Finanças Públicas(o Déficit, valor primordial para a política económica comunitária, parece ter deixado de ser uma prioridade). Desta vez, o Governo afasta-se da ideia "paranóica" dos Anteriores -Sociais Democratas- do Défice Público e surge com uma nova prioridade: extinção de organismos estatais, reestruturações e, consequentemente, despedimentos. É, pois, óbvio, que o funcionalismo público anda descontente, trémulo, e os processos pendentes arrastam-se morosamente(difundiu-se a ideia de que os Funcionários Públicos são lentos e ineficientes o que, em todo o caso, não constitui uma realidade abrangente, mas tão somente casos pontuais e verificáveis em todos os sectores da sociedade produtiva).
Como que paralelamente, surge -e muito bem- uma Política Cultural, dedicada e intransigente, que historicamente só se verificava em Conjunturas económicas prósperas. Das duas uma: ou a situação económio-financeira não é assim tão negra ou, se é, as Colecções Berardo's, os TGV's e as Ota's podem esperar(estas últimas, apesar de serem Políticas no campo dos Transportes, também só se devem desenvolver quando os aspectos essenciais à vida dos cidadãos estiverem resolvidos). A Política nos Transportes é estruturada e constitui uma aposta interessante e avultada no sector, contudo, não me parece que tenha prioridade sobre as questões, por exemplo, das Escolas do 1º Ciclo que vão encerrar e os alunos terão de frequentar outra, mais populosa e distante(que incitará, não tenhamos dúvidas, principalmente no interior rural do País, ao precoce abandono escolar). Portanto, na minha análise, as prioridades foram trocadas: eis a desilusão dos Cidadãos(dos que neles acreditaram e por isso os elegeram) perante a tomada de Poder dos Socialistas, e da Esquerda em geral, pois os seus programas de candidatura verificam-se inexecuíveis e, portanto, falaciosos.
E depois não temos uma Oposição Fide-digna: a classe Política caracteriza-se, grosso modo, por uma atitude desleixada e uma execução em conformidade, ou seja, despreocupada. Os exemplos são mais que muitos e raros são os que dignificam a Classe.
Resta aos Cidadãos, Contribuintes para o Estado, estarem atentos e, na sua maioria, descontentes.

TAM

sexta-feira, abril 14, 2006

Páscoa, a Original

«Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o como uma festa em honra do Senhor: Fareis isto de geração em geração, pois é uma instituição perpétua.» Livro do Êxodo 12, 14

A Páscoa é, indubitavelmente, uma das Celebrações mais marcantes e relevantes de toda a Cristandade. Nela se comemora a Ressureição de Jesus Cristo, vindo ao mundo para nos Salvar e que Morreu por todos nós, suportanto a Dor dos nossos Pecados e Purificando-nos, numa prova de inquestionável Amor por todos os Seus filhos.
Foi barbaramente Crucificado, tendo feito, até chegar ao calvário, o penoso caminho com a Cruz às costas, na Sexta-Feira Santa, por volta de 33 d.C., e Ressuscitou ao 3º Dia, Domingo, conforme as Sagradas Escrituras descrevem. A Páscoa( Pesach = Passagem) Celebra a Sua Vitória sobre a Morte.
A Última Ceia de Jesus com os seus Discípulos celebra-se na Quinta-feira, que precede a Sexta-Feira Santa, e a Subida para junto do Pai Celeste na Quinta-feira após o Pentecostes, a Ascensão de Cristo ou Corpus Christi.
A Páscoa é um Feriado móvel que serve de referência para outras datas, sendo calculada com base na Lua(por influência do calendário judeu, baseado na Lua). Calcula-se como sendo o primeiro Domingo(Dia do Senhor, literalmente) após a lua cheia seguinte ao Equinócio de Outono -no Hemisfério Sul- ou o Equinócio de Primavera, no Hemisfério Norte.
Agora, mais não digo do que nos diz a Bíblia, pois a Verdade e Luz, essas, só fomos realmente capazes de ver com este Exemplo: o Cordeiro de Deus que Tirou o Pecado do mundo e Morreu por nós, tendo Ressuscitado e Voltado para o Céu, onde nos Conduz e Ama como Ninguém.

Votos de uma Santa Páscoa para todos os Leitores do Curtas e Rápidas, bem como para os que para ele têm contribuído. Com Respeito, TAM

domingo, abril 02, 2006

A minha Páscoa

Não sei, e julgo que não alteraria em nada este artigo caso soubesse, o grau de religiosidade de cada um de vós, prezados leitores do Curtas e Rápidas, porém, considero que cada um de nós tem Crenças e uma Religião, que pratica mais ou menos intensamente, dependendo de vários factores. Não me afasto rigorosamente nada de vós se confessarmos uma Religião distinta, só me preocupa se não tiverem nenhuma(ou uma teoria racionalista não falaciosa que defenda essa não-crença). Pois bem, sou Católico Apostólico Romano convicto e, daqui, nada me demove. Torna-se, portanto, imperioso, nesta época, reflectir sobre os Valores transmitidos. Não vos peço que aprovem os Dez Mandamentos da Lei de Deus (se aprovarem, óptimo, fico feliz), contudo, há valores de Bem, mais globais e intemporais do que esses e, deste modo, estou certo, que não nos afastamos em discussões desde o início condenadas ao fracasso(na medida em que jamais corroboremos) e que promovem mais a tensão do que a harmonia social. Estamos na Quaresma, a viver(espero) a nossa Páscoa de forma intensa, todavia, esta intensidade deve assumir uma tónica de Bem, de Bom, de cada vez mais e melhor. Mais solidários, Melhores Amigos, de Bem com Deus, "em Bom" com a Família. Estas devem ser metas desejadas por tudos(não considerando eu que é a única meta, pois pessoas há que têm para além destas muitas outras e em graus igualmente difíceis e exigentes), independentemente do Credo de cada um.
A Páscoa não é A ALTURA, mas é uma boa altura para começar, ou continuar, a caminhada que, como se diz, faz-se caminhando. É difícil, leva-nos por caminhos tortuosos e exige-nos Vontade, Amor, Verdade, Paz, Humildade... valores actualmente raros e barreiras, não raras vezes, consideradas, à partida, de intransponíveis. No entanto, com Fé, tudo é ultrapassável: já Moisés abriu - quando parecia impossível e por isso poucos acreditaram - uma passagem no Mar Vermelho, para que o seu Povo passasse entre as águas revoltas e alcançasse a Terra Prometida, deixando para trás o tenebroso Egipto. O Racionalmente impossível revelou-se, na realidade, um obstáculo intrasponível? Não, claro que não. Vontades há Infinitamente Maiores e mais Poderosas do que as nossas.
Assim sendo, e com este exemplo Bíblico, independentemente da nossa Religião, como já disse, tentemos viver este período em harmonia, humildade, simplicidade, sinceridade, amor e solidariedade para com todos. De facto parece, ao ler, um pedido inexequível, porém, estou em crer que, com a força e a ajuda de Cristo, a missão será penosa, mas recompensadora por si só. Isto é, podemos não ganhar uma pipa de ouro, mas alcançaremos decerto a tranquilidade da consciência e a Amizade de Deus (bens infinita e incomparavelmente maiores que quaisquer outros).

Esta Missão, que deve ser aceite por todo o bom Critão, nem sempre é, tenho a certeza, tão simpática e "leve" quanto gostaríamos. Contudo, e nomeadamente com a ajuda dos nossos "Salvadores terrenos", ela vai-se tornando num fardo leve, que passa a ser encarado como uma simples rua empedrada, medieval, onde tantas vezes caímos de bicicleta e que, nem assim, deixamos de lá passar ou de a adorar. Porque a vida não é para ser vivida com tristeza, muito menos com a ideia de que a qualquer momento nos espera o penoso Calvário, devemos sorrir e contribuir para que, amanhã, o Calvário do nosso irmão lhe seja mais suportável, mesmo que isso implique maior peso para nós.
Por tudo isto, vou passar a dedicar, aqui e a partir de hoje, um texto a cada um dos Amigos que me têm facilitado a Caminhada em vários contextos e em diferentes épocas. Não que tenha sido pesada ou que possa sequer queixar-me(do meu Calvário), mas porque lhes reconheço uma atitude tão nobre quanto a que desejo para os meus filhos: a Pureza de Carácter.

Gonçalo, meu Ultra-Caro(será que posso escrever isto?), este 1º é-te dedicado porque me motivas para reflexões complexas, és uma Pessoa de Excepção e o mais Nobre que até hoje conheci. Um atento leitor do Curtas e... não me esqueci que me enviaste a sms mais sentida que já alguma vez - pelo menos nos tempos recentes- me enviaram, ao vislumbrares a minha notória, na data, indisposição mental. Um Grande Abraço, meu Grande Aristocrata.
TAM

domingo, março 26, 2006

A Insustentável Leveza do Ser

Vivemos hoje num Mundo em que não se cultiva a Guerra, pelo menos de cariz medieval, e quando ela acontece -mais injusta, impessoal , falaciosa e tecnológica do que nunca(na Idade Média ainda se valorizava a Coragem e a Bravura)-, não faltam movimentos de Massas, surgidos espontânea ou organizadamente, para a contestar e repudiar: muito bem, também concordo! As sociedades, todas estas que compõem o Planeta, são, ou pretenderiam teoricamente ser, mais justas, porque igualitárias, fraternas, pluralistas, livres, em suma, auto-denominam-se de Democráticas (seja lá isso o que for, ou melhor, alterem o seu significado para o que lhes der mais jeito). Porém, todas estas "evoluções" democráticas republicanas que, na sua esmagadora maioria, só foram respeitadas pelo Regime Monárquico(Nacional e outros), aparecem como bandeira da Répública: este magnífico sistema desajustado que nos governa e nos faz crer que é, por si só, melhor que qualquer outro regime e que, à posteriori, se revela mais dispendioso que eficaz, mais elitista que igualitário. Reflictamos sobre tal.
Da Idade Média à Era Moderna passou-se de um sistema Feudal, efectivamente "frio" e injusto, em que só as classes possidentes(e para as integrar só mesmo nascendo nelas, não se cultivava a tão famosa, hoje, mobilidade social) tinham direito aos inúmeros privilégios previstos pelo Soberano e viviam desafogadamente -até aqui se manipula a História, pois ninguém passava mais necessidades que a Nobreza Rural, tão valorosa quanto miserável. Passámos para a Era das liberdades, igualdades e fraternidades e, logo aí, o carácter sanguinário do campesinato e assalariados fabris foi altamente notório, contudo, como a escalada de violência partia das classes desfavorecidas, tudo era permitido, porque tinham direito a matar uns quantos nobres para regozijo pessoal. Na contemporaneidade, apregoa-se aos sete ventos a desresponsabilização enquanto sujeito executor das acções, bem como a força das Massas, o poder televisivo, a igualdade social, a falta de valores e, consequentemente, a gritante falta de educação e respeito que só não atordoa as Almas adormecidas: e tudo isto é promovido como sendo benéfico. E Porquê? Porque deixou de existir a divisão entre classes, pelo menos de cariz genealógico(pois a divisão económica é mais fácil de ser ultrapassada, basta para isso enganar meio milhão de conhecidos e torno-me rico e, portanto, influente), e vivemos agora numa suposta sociedade ideal/global, republicana e laica.
Mas são esses mesmos que contestam, e muitas vezes bem, as políticas dos Governos da República que a defendem, e AI de quem ousar contrapôr-se: formam uma pseudo-Moral geral que é mais nefasta ao indivíduo do que as repreensões inquisitoriais(hoje, "queima-se" quem não nos agrada por "dá cá aquela palha").
No fundo, quero dizer que na Idade Média um Camponês podia cavar à vontade, pois sabia que o colega da parcela anterior à sua não o iria desmembrar -pelo menos não cobardemente, pelas costas- com uma foice, bem como o Cavaleiro podia confiar na força da rectaguarda, pois o companheiro de exército não o abandonaria ao vislumbrar a primeira hoste inimiga. E hoje, mesmo que superficialmente pareça o contrário, quando olho para o meu lado direito, ou esquerdo, não vejo, em momentos de aflição ou de grande sucesso, um Amigo, mas antes mais um -ou dezenas deles- canibal, tão perigoso quanto o outro desconhecido que vive três quarteirões para norte.
Pelo menos na Idade Média, podia-se contar com alguém(desde que do mesmo Estado social), todavia, actualmente, nem com a própria sombra: são as profundas e gravíssimas implicações da Aldeia Global(posso ter acesso em 2horas a Berlim, no entanto, não temos um Amigo seguro em casa). Isto é, obtiveram-se inúmeros avanços e regalias, científicas, laborais e outras, contudo, perdeu-se o mais elementar Direito do Homem: o de poder confiar no seu Semelhante, sem que para isso tenha de oferecer tudo o que tem e mais aquilo que terá de roubar para satisfazer as necessidades ordinárias do seu "Amigo". Plantem-se Amizades, no verdadeiro sentido da palavra, inculquem-se Valores, recupere-se a Tradição e transpareçamos, antes de tudo, o Carácter e a Personalidade que nos caracterizam, mais assim ou mais assado, todavia, o Autêntico!
Só me ocorre dizer... a Insustentável leveza do Ser(Humano).

É nestes momentos prosaicos que fico contente quando, ainda assim(e apesar de integrado neste sistema hipócrita), consigo sorrir ao relembrar bons Amigos, pois é um sinal de que ainda os Há: em tom de raridade, mas há!
Com Amizade, e um voto especial de Felicidades - aos Antónios, Gonçalos, Marias, Catarinas, Filipas, Franciscos... excepções de Referência que acompanham esta caminhada de vida- e Parabéns ao Tiago Tejo,

TAM

terça-feira, março 21, 2006

Bem-vinda Primavera

Inicia-se hoje, dia 21 de Março, a entrada numa nova Estação do Ano: na Primavera. Deixamos para trás o frio, os cachecóis e a natureza "despida" do Inverno para evoluir para um período infinitamente mais colorido(e animado, diria eu, mas esta análise já é muito própria). Floresce a natureza e, como que paralelamente, a boa-disposição e alegria primaveril humana. Não que se ande triste no Inverno -até podemos andar, porém, não se trata de uma inevitabilidade epocal- no entanto, que o os primeiros raios de Sol de Primavera são "rejuvenescedores", lá isso são. Não se trata de uma ideia que deva ser tomada literalmente, pois os raios solares são, quando em exagero, tudo menos rejuvenescedores -aumentam a probabilidade de envelhecimento da pele, quando, como em tudo na vida, em demasia. Trata-se de um rejuvenescimento de Alma e das motivações de cada um, que para Freud, por exemplo, se designava -e resumia- por Líbido.
Mas deixemos as recomendações Médicas e concepções Psicanalíticas para outra altura.
Agora devo sublinhar que a época do ano em que nos encontramos influencia substancialmente algumas pessoas mais "ambientalmente influenciáveis". E deveríamos ser todos, visto a vertente Ambiental/Natural assumir tamanha importância à vida do Homem. Portanto, aproveitemos os dias primaveris que devem estar a surgir para circular, para deambular(como diria Cesário Verde) pelas cidades, vilas e aldeias desse tão lindo Portugal. O que não falta nesta Nação são locais agradabilíssimos.
Como diz a música da Sra. Dª Simone(a Portuguesa, não vá haver confusões com a Brasileira), o sol de inverno não tem calor restando-nos, assim, o magnífico da Primavera e Verão.

TAM

Dia Mundial da Poesia

Assinala-se hoje, 21 de Março, o Dia Mundial da Poesia e, apesar da minha incapacidade de a honrar e escrever, não posso deixar passar a data em branco. Portanto, e relembrando a nossa Mais Alta Qualidade Literária e, de modo muito peculiar, Poética, com tão grandes Personalidades que desde pelo menos o século XVI nos presenteiam com magníficas obras poéticas de valor universalmente reconhecido, remeto-vos(porque também eu já o fiz) para o o Blog Arrepio Cardíaco, abaixo linkado, para que disfrutem do mais belo quadro literário alusivo ao dia. Trata-se de uma montagem realizada pelo autor do citado blog que compreende os Altos Poetas de Língua Portuguesa(e não os cito porque temo que me esqueça de algum). Vale a pena espreitar a Imagem/Quadro que aparece como Homenagem aos Poetas e forma de relembrar a data.

Poeticamente, pelo menos em desejo, TAM

terça-feira, março 14, 2006

Além de Caminha...

Na medida em que não quero ser injusto, e no seguimento do último postal por mim escrito, cito outros autores que também relataram a sua impressão sobre a gente e a terra de Vera Cruz(Brasil). Foram eles: Pêro Lopes e Sousa, em 1530; Pêro Magalhães de Gândavo, em 1576; Gabriel Soares de Sousa, em 1587 e Ambrósio Fernandes Brandão, em 1618.
Paralelamente a esta literatura, de Informação, verificava-se também no Brasil a literatura dos Jesuítas, tendo sido considerada a melhor Literatura por lá produzida na primeira fase do Brasil-Colónia(claramente com outros objectivos, nomeadamente o de Evangelizar os Ameríndios).
Os mais dignos representantes desta literatura Jesuitaica foram os Padres José de Anchieta, Manuel da Nóbrega e Fernão Cardim.

TAM

Pero Vaz de Caminha

Por ter citado este Português no último postal, e pela qualidade da Carta que nos deixou, julguei lógico e interessante dedicar-lhe algumas linhas no Curtas e Rápidas.
Substituiu seu pai, Vasco Fernandes de Caminha, Cavaleiro do Duque de Bragança, no cargo de Mestre da Balança da Casa da Moeda do Porto, cidade onde nasceu. Dedicou-se, também, ao Comércio até ser designado para a Feitoria de Calicute - como Escrivão-, na Índia, de onde parte com Pedro Álvares Cabral, corria o ano de 1500.
Escreveu, em 1 de Maio de 1500, a Carta da Descoberta do Brasil, onde relata primorosamente a terra e a gente que vislumbrava. A Carta destinava-se, obviamente, ao Soberano de Portugal, El-Rei D. Manuel I, no entanto, tornou-se do conhecimento público, felizmente, para regozijo de todos os Portugueses que se orgulham da sua História e que encontram, assim, um elemento fulcral comprovativo da Expansão Portuguesa e um documento histórico detalhadamente descritivo. Esta Carta foi divulgada pela primeira vez pelo padre Aires do Casal, no livro «Corografia Brasileira», depois de ter estado guardada durante mais de três séculos na Torre do Tombo(local altamente recomendável para ser visitado, na Alameda da Universidade ao Campo Grande, a ladear a também histórica Faculdade de Letras de Lisboa).
Pero Vaz de Caminha morre no mês de Dezembro de 1500, aquando do assalto Mouro à Feitoria de Calicute, para onde havia retornado com Álvares Cabral após a descoberta da Terra de Vera Cruz.
Deixo-vos agora com um brevíssimo excerto da Carta de Vaz de Caminha a Sua Majestade, El-Rei D. Manuel I, na esperança de que se entusiasmem sobre a temática em causa e a leiam integralmente.
«Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pôde deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas, como de papagaio. E outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza. E com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar. », Pero Vaz de Caminha

TAM

quarta-feira, março 08, 2006

Pedra Filosofal

Não sei se as pedras podem filosofar, todavia, os filósofos, foram várias vezes pedras que permitiram construir a muralha da(s) cultura(s) que ainda hoje nos sustenta(m)/rege(m).

Contra qualquer simbolismo hipoteticamente existente sobre este, antes de mais, belo poema, gosto de o ler/ouvir e julgo que merece que se faça justiça. Sim, também deu uma simpática- e graças a ela mais reconhecido- música, de Manuel Freire.
É um poema -maioritariamente escrito em quadras- de António Gedeão, talvez o poeta mais "cientista" da história da Literatura e da Cultura Portuguesa, composto por onze estrofes. É longo e rimante, calmo e descomprometido.
Em boa verdade, e sem análises de carácter político ou social(que, de facto, o poema cantado recorda), é uma poesia do mais inspirado que há.
É simples, bondoso e nostálgico, em análise pessoal. Bem como o exemplo de "usurpação" por parte de alguns para representar aquilo que, em última análise literária, não representa! Fala tão somente, e tanto que é, do Sonho, presente na vida de todos os Seres Humanos. Quanto muito poderia ter sido, de alguma forma, ligado a Freud e à temática Psicanalista, nomeadamente de análise dos Sonhos... mas não. Quiseram identificá-lo com períodos críticos e ideias revolucionárias, contudo, disso, o poema tem tanta culpa quanto os ameríndios tinham de maldade quando dançavam em Terras de Vera Cruz, sem roupa, aquando do desembarque dos Marinheiros Portugueses capitaneados por Pedro Álvares Cabral, no ano de 1500, maravilhosamente descrito nas Cartas de Pêro Vaz de Caminha.
Quis, assim, prestar homenagem à letra de uma música que não esteve, politicamente, do lado dos ideais por mim defendidos, porém, como já dizia não sei quem, «nem sempre, nem nunca[falar sobre assuntos político-ideológicos]».
Como repararam já estou a falar nela, ou pelo menos a pensá-la(à ideologia social e política)... é inevitável, mas também, ela é imprescindível à vida em sociedade.
TAM

segunda-feira, março 06, 2006

Portugal...conhecer/reconhecer

O contributo que a nossa história desempenhou ao longo dos anos é de uma preponderância inacreditável, e parace- me, que é lhe dada essa pouca importância. Não é só a nossa história mas é este papel da Penísula Ibérica que durante a época medieval e noutras épocas em muito contribuiu quer a nível político, quer a nível cultural,quer a nível religioso, é realmente de uma grande importância e isso não podemos deixar passar de todo em branco. As forças francas na defesa do condado Portucalense, a própria política autonomista do conde D. Henrique que pôs em comunicação as igrejas francas e portuguesas, a ajuda das Cruzadas no âmbito das conquistas de Afonso Henriques. Isto são apenas alguns exemplos de que esta nossa história tem um papel fundamental.
Quando digo que é dada pouca importância referi-me aos livros, não encontramos autores estrangeiros a falar da nossa história de terem a capacidade de construir uma historia de Portugal e dos seus acontecimentos na cena internacional. Somos nós e os espanhois que escrevemos sobre isto, claro cada um com a sua opinião, somos nós os únicos que reconhecemos. Não vejo e se vejo são muitissimos poucos, a escreverem sobre esta história que tem muito para mostrar. Fazem-se filmes sobre as Lendas do Rei Artur , sobre a força inglesa, sobre a independência dos Estados Unidos, etc sobre esses paises que apesar de tudo têm o seu peso mas se olhassem sobre as conquistas de Afonso Henriques, sobre a Reconquista Cristã na qual se vê um ponto de partida para as Cruzadas isso sim daria também um bom elemento para dar a conhecer muito mais daquilo que se sabe e que todos devem saber, isso sim evidenciarnos-ia. Mais à frente quando falamos de Descobrimentos e Expansão Portuguesa ai então assumimos-nos como autênticos e como pioneiros na formação de um império que desbravou oceanos e mistérios onde o medo muitas vezes tomou conta dos nossos navegadores que sempre arriscaram a sua vida pela pátria, pelos portugueses. Temos tanto para mostrar, temos tanto para dar, somos Portugueses mostrem-nos ao mundo quem somos. Temos um passado que não pode ser esquecido. Viva PORTUGAl.
Por Portugal enquanto é Tempo!!

Um grande abraço
TSM

domingo, fevereiro 26, 2006

Bom Carnaval

Um Carnaval divertido para todos! Brinquem e divirtam-se, os que apreciarem, sem, contudo, exagerar e afectar a liberdade de outrém.

Saudações carnavalescas, TAM

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Noite XL em Lisboa

Fiz em Dezembro a promessa de avisar aqui no "Curtas & Rápidas" todos os acontecimentos que tivessem a ver com o ano Jubilar de Xavier 2006 e que eu soubesse. Aqui, ali e acolá já fiz referência a temas sobre o ano da comemoração dos 500 anos depois do nascimento de São Francisco Xavier. Como o prometido é devido, venho ser eco e avisar que, neste âmbito, Lisboa vai ser palco de mais uma iniciativa inesquecível, no próximo dia 10 de Março: A Noite XL.
A Noite consistirá numa peregrinação onde a Paz será evidente, e sabemos isso pela qualidade da organização, ao cargo dos Jesuítas. Começa então a noite com uma festa a celebrar a presença de Xavier em Lisboa, seguida de uma peregrinação nocturna junto ao Tejo, cujo percurso passará pelo rio (com travessia de cacilheiro), pelo Castelo de S. Jorge, pela Sé, pelas Docas, Mosteiro dos Jerónimos, Padrão dos Descobrimentos e finalmente Torre de Belém. Vai-se estender por toda a noite e promete tocar-nos no coração...
O preço da inscrição nesta memorável noite é, para residentes na Àrea Metropolitana de Lisboa, só de 10 euros, enquanto que o preço para residentes fora da AML é de apenas 5 euros. Aberta a inscrição a todos os que tiverem entre 16 e 40 anos, não há desculpa possível para que os que nesta faixa etária se encontrem não participem! Espero-vos lá, a todos! Vai ser... XL!
AVC

terça-feira, fevereiro 21, 2006

o século XIX e a História

A História(disciplina histórica) é uma ciência que, "desde sempre", se ocupa do estudo dos factos passados, com maior ou menor rigor, de forma mais ou menos aprofundada. No entanto, apesar da sua longevidade inegável e do seu carácter desde sempre razoavelmente rigoroso na esfera política(história de Reis e Rainhas, Governos Dualistas, etc.) a História só a partir do século XIX, com o método Positivista, do sociólogo Auguste Comte, se converte realmente numa ciência humana. Para tal, a História serviu-se dos mais notáveis -e fundadores da Sociologia- sociólogos para imprimir um método, o positivista da crítica interna e externa, que lhe atribuísse um carácter verdadeiramente científico. Até então, era considerada -e bem, na minha perspectiva- por muitos, como um conjunto relativamente denso de factos empíricos, de carácter quase literário(realidade esta que não é de menosprezar, tendo em conta a importância vocabular, sintáctica, e outras, da Literatura).
Surge, deste modo, a História científica. E, assim, compreende-se mais facilmente, julgo, a ligação e "troca de saberes" entre a História e as novas ciências, nomeadamente a Sociologia e a Economia.
Agora falta caracterizar o Positivismo nos seus traços mais gerais, para compreendermos a sua concepção de História, porém, disso, falarei noutro dia.
Saudações, TAM

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Sobre Maquiavel e o capítulo XVII d'O Príncipe

Caríssimo Tiago:

Maquiavel é um autor que suscita grande interesse pela ruptura violenta que faz com os valores antigos em nome de uma pretensa realidade que diz existir. Ora, este que impulsionou o pensamento moderno europeu tem, quanto a mim, uma série de fraquezas no seu aliciante - e por isso perigoso - argumento.
A primeira coisa que nos urge questionar é se essa ruptura com os clássicos nos traz benefícios. Valores entranhados, muitos deles que funcionam para bem, será que é bom pô-los deste modo em causa e reciclá-los numa versão mais terra-a-terra? A minha opinião é que não, na sua maioria trocaram-se valores superiores como a amizade por outros mais cientificamente explicáveis como o do interesse. Maquiavel classifica a amizade em categorias, tendo sempre por lanterna que ilumina o seu argumento, o interesse que advirá da amizade. Ora, não é a amizade uma disposição desinteressada em relação ao outro, dando sem esperar receber? Será esta transvaloração benéfica para a alma humana? Não é esta uma visão egocêntrica, até egoísta, da amizade que deveria ser altruísta? Há o dar e o receber, claro está. Mas na tradição Cristã, é no dar que está o receber, "é dando que se recebe"...
"As amizades que se conquistam com dinheiro", diz Maquiavel a dada altura. Amizades que se conquistam pelo dinheiro? Isso existe? Eu nunca lhe chamaria amizade. Lá está o interesse pessoal no centro da definição, mesmo que Maquiavel defenda que estas "amizades" seja as mais frágeis. O problema está uma vez mais em confundir conceitos, ou no caso, mudar o conteúdo dos conceitos de propósito. Tudo para Maquiavel concluir no capítulo com o mesmo nome do teu anterior postal que para o Princípe depender menos dos outros (o que para o autor é o ideal), é preferível ser temido que ser amado!
Entre a amizade abordada n'O Príncipe e a amizade abordada n'O Principezinho, prefiro a segunda que, apesar do nome poder indiciar o contrário, considero maior e mais forte. Aconselho também como tu, a leitura de Maquiavel a todos os interessados na matéria, pois há bastantes livros que o explicam mal... mas digo porém: Cuidado, pois este genial autor é perigoso e quanto a mim, intencionalmente manipulador!
Com um abraço amigo,
AVC

domingo, fevereiro 12, 2006

De crudelitate et pietate; et an sit melius amari quam timeri, an contra.

Disse Nicolau Maquiavel: « Há uma coisa que se pode dizer, de uma maneira geral, de todos os homens: que são ingratos, mutáveis, dissimulados, inimigos do perigo, ávidos de ganhar.». No entanto, também disse o mesmo Pensador: «As amizades que se conquistam com dinheiro, e não pelo coração nobre e altivo, fazem sentir os seus efeitos- mas são como se não as tivéssemos, pois de nada nos servem quando delas precisamos.»
Com a primeira afirmação posso concordar somente em parte: não concordo com o facto de serem dissimulados, o resto já me é mais fácil de aceitar. Como o próprio compreendeu, são "de uma maneira geral", visto haver sempre Bons Amigos(as), que são aquelas excepções que confirmam a regra.
Com a segunta estou totalmente de acordo: não há nada de mais falso, hipócrita e sinistro do que uma amizade construída no Amor -não a nós- ao (nosso hipotético) dinheiro. Só a Amizade do coração nobre e altivo -que qualificativos sublimes- é verdadeira e sincera! Nada mais correcto, nada mais raro, nada mais valioso.

Leiam O Príncipe e desmistifiquem a imagem do seu autor. Reflictam sobre os presentes excertos: eis a minha sugestão.
Ao meu Amigo de sempre, de coração -Nobre e Altivo-, que esteve sempre presente e com quem pude sempre contar e que é a excepção clara ao primeiro excerto de Maquiavel, João Pedro.

TAM

sábado, fevereiro 11, 2006

Lembrando antigas (tristes) anedotas...


AVC

Comoção

O que há de mais enternecedor que sentir um par de olhos baços de cegueira chorarem de alegria e comoção pela nossa presença?

AVC

Correcção

Peço as maiores desculpas pelo último postal. Pertinentemente alertado pelo Caro FG Santos, reparei que fui enganado pelas notícias da TVI, que apresentou Arnaud Levy como o editor do Jyylands Posten e não como o editor do France Soir, como de facto o é. Nem sei como ainda caio na tentação, por vezes, de ver as notícias da TVI e ainda por cima dar-lhes crédito!

Uma vez mais as minhas sentidas desculpas e um especial agradecimento ao FG Santos por nos alertar para o erro,

AVC

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Alguém reparou...

... que o editor do jornal dinamarquês que abusou da liberdade de expressão tem apelido judeu? Arnaud Levy é o seu nome.

AVC

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Aos que dizem dizer o que pensam

Muitas vezes ouve-se por aí uma expressão opinativa que conduz à tolerância no seu pior, assim: "Eu só digo o que penso...!". A partir daí, todos toleram. Alguns até batem palmas sem concordar com a ideia, mas apenas porque "cada um tem direito à sua opinião e a dizer o que pensa"! E então são aplaudidos: A tolerância no seu pior.
Ao contrário do que muitas vezes ouvi dizer, acho que não há muita diferença entre dizer o que se pensa e pensar no que se diz. Penso e digo que uma coisa pressupõe a outra. A diferença maior é outra:
Uma coisa é dizer o que se pensa. Outra é dizer o que vem à cabeça! A primeira é de louvar. A segunda, normalmente, é infeliz. Porque ainda não é madura, falta ser mastigada para ser tomada...
AVC

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

1º de Fevereiro de 1908

Esta tarde decorreu, no Terreiro do Paço, uma Homenagem a Sua Majestade, o Rei D. Carlos e ao Príncipe Real, D. Luís Filipe, pois faz hoje 98 anos que a Família Real, ao chegar a Lisboa regressando do Palácio dos Duques de Bragança, na bela Vila Viçosa, sofre um atentado do qual só saíram com vida a Rainha D. Amélia e o Príncipe D. Manuel, futuro D. Manuel II, Rei de Portugal. O atentado foi protagonizado por um tal Buíça que, infelizmente, disparou contra a Carruagem Real e alvejou fatalmente Sua Majestade o Rei D. Carlos -dá-se o Regicídio- e Sua Alteza Real o Príncipe D. Luís Filipe.
A Homenagem foi organizada, e bem, pela Real Associação e estiveram presentes, entre outros, Sua Alteza Real D. Duarte Pio bem como D. Isabel de Herédia-os Duques de Bragança-, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que não raras vezes nos presenteia com a sua Educação e Patriotismo, para além das pessoas que se quiseram juntar à Homenagem tão digna quanto merecida.
Pois bem, as minhas saudações, o meu respeito e votos de que mais Homenagens se sigam a todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram para Enaltecer uma vez mais a Nação Portuguesa.
TAM

sexta-feira, janeiro 27, 2006

A história repete-se...

Edvard Munch - A onda
Quem se lembra do grupo dos "Onda Choq"? Tocavam músicas internacionais conhecidas, saloiamente traduzidas para Português. Com alguns passos de dança e juventudes à mistura, faziam um espectáculo de entretenimento que nos distraía da fraquinha qualidade da música! Faz-me lembrar a política que se faz hoje em Portugal. O grupo de hoje chama-se "Rosa Choq", e insiste em querer dar-nos música...
AVC

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Agradecimentos!

Hoje olhei para o WebStats Counter:

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18 September 2005

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É bonito! Muito obrigado, estimadíssimas leitoras e leitores! E aos outros colaboradores, que engrandecem este espaço! A todos, um agradecimento sentido e os meus melhores cumprimentos,


AVC