terça-feira, outubro 02, 2007

A corrupção: no Ocidente e no Islão

É recorrente ouvirmos algumas pessoas reclamar a superioridade civilizacional do Ocidente em relação ao Islão. A seguir a tão vazia declaração, normalmente acrescentam que "a prova disso é que os árabes são corruptos" e que "abdicam de todos os seus valores por dinheiro". As pessoas esquecem-se é que nisso mudamos pouco: todos os povos conseguem ser promíscuos e corruptos - basta olhar para a classe governante portuguesa e para a de outros países europeus. A Justiça? Compra-se. Os valores? Ofuscam-se com outros brilhos mais urgentes. No entanto, a argumentação em torno da corrupção roça o ponto decisivo que nos distingue economicamente dos muçulmanos. A diferença não está na existência da corrupção - existe onde houver dinheiro, mas no processo. Ouçamos as palavras do professor Bernard Lewis, perito em estudos sobre o Islão.
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"No Ocidente faz-se dinheiro no mercado, que depois se utiliza para comprar ou influenciar o poder. No [Próximo] Oriente toma-se o poder e utiliza-se o controlo do Estado para fazer dinheiro. Moralmente, não existe diferença entre os dois casos, mas o seu impacte ao nível da economia e da política é muito diferente."
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extraído do livro de Bernard Lewis: O Médio Oriente e o Ocidente - o que correu mal?

2 comentários:

senhor limiano disse...

para fazer um quilo de flamengo genuíno são necessários aproximadamente 10 litros de leite português!

Sandokan disse...

...patrocionados por um qualquer Orçamento de Estado. Um abraço, bom queijo.