quarta-feira, Julho 18, 2007

a justiça dos homens e a justiça de Deus

A definição clássica de Justiça é "dar a cada um o que lhe é devido", ou "dar a cada um o que é seu de Direito".
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No plano da sociedade humana, quando alguém comete o crime de roubar e é apanhado para ir a julgamento, é condenado a cumprir uma pena. Esta é a justiça dos homens. Se o indíviduo se arrepender do acto cometido, a pena pode ser encurtada e até perdoada. Mas o crime nunca é perdoado, pois o seu registo fica no cadastro do indivíduo.
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Mas se estivermos a falar da Justiça divina, o caso apresenta algumas mudanças. O mesmo crime (ou pecado) de roubar, ou qualquer outro pecado (ou crime), é condenável e condenado. No entanto, o crime pode ser perdoado - apagado - na sua totalidade, através do perdão. E mais ainda se ao perdão se seguirem boas obras, obras de amor. É impossível a um ser humano compreender a Justiça de Deus através de um raciocínio meramente racional e mundano. A Justiça de Deus baseia-se no amor, algo a que as nossas leis humanas não obrigam. É que, o amor, é para os homens muito mais do que dar a cada um o que lhe é devido. Mas para o Deus dos cristãos, o amor é o que devemos ao próximo, a todo e cada próximo. É uma Justiça muito mais exigente e difícil de teorizar e praticar.
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Parece que o desafio aqui é o de distinguir entre dois esquemas de pensamento com uma diferença muito subtil, mas ao mesmo tempo determinante: o homem é criado à imagem e semelhança de Deus, e não é Deus que é criado à nossa imagem e semelhança. O tipo de Justiça que prega a doutrina divinizada do "olho por olho, dente por dente" não é uma doutrina do Deus que cria o homem à sua imagem e semelhança, mas sim do homem que projecta Deus como feito à sua imagem e semelhança.
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O homem tem em si muito de mundano para ser conquistado pelo divino. Nem tudo o que somos pode ser divinizado tal como está. Para o ser, é necessária uma dolorosa transformação, que apenas é sólida quando nos transcende. E apenas o amor nos transcende com a Justiça de Deus, pois essa é a Sua medida.
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O homem religioso parece calhado a viver com estes dois tipos de Justiça: a Justiça dos homens e a Justiça de Deus. Justiças diferentes, mas conciliáveis desde que a Justiça dos homens não obrigue o homem religioso a ir contra os seus princípios. É aqui que verdadeiramente reside a questão da liberdade religiosa: trata-se primeiramente da questão de conciliar as duas Justiças.

4 comentários:

' ℓiipe disse...

' queria desse livros na biblia como referencia :s

Anónimo disse...

FALTA REFERÊNCIAS BIBLICAS

Anónimo disse...

SEM CONSISTENCIA, INDEPENDENTE DA SUPERFICIALIDADE, EXPLICAÇÃO MUITO SIMPLISTA DEMOSTRA EXTREMA FALTA DE CONHECIMENTO TEOLOGICO.

Anónimo disse...

Anónimo, amigo, diga lá qual é o seu problema que eu estou a ouvir. Apresente as suas ideias. Sentiu-se ofendido com alguma coisa?

Sandokan